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O que um agente do FBI descobriu “caçando” serial killers por 25 anos

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Will Graham, agente do FBI interpretado por Edward Norton no filme “Dragão Vermelho” (2002), analisa as casas em que duas famílias foram mortas com requintes de crueldade por um assassino em série. A partir das evidências deixadas nas cenas dos crimes, o policial tenta “adivinhar” o perfil do assassino e quais são suas características, tanto físicas quanto de personalidade.

A cena é clássica em filmes do gênero, mas está longe de ser apenas “coisa de cinema”. Prova disso é o livro “Mindhunter”, do ex-agente John Douglas, que trabalhou por 25 anos no FBI (a polícia federal americana). Sua obra, que foi publicada nos anos 90 e virou um best-seller, foi relançada pela editora Intríns…

No livro, Douglas, que é tido como “o primeiro caçador de serial killers americano”, conta sua experiência como fundador da Unidade de Apoio Investigativo, criada em 1980 no FBI e que tinha como objetivo ajudar na análise de perfis para resoluções de crimes, principalmente assassinatos.

Basicamente, Douglas e sua equipe analisavam as evidências e cenas de crimes e supunham quem e como eram os assassinos. Afinal de contas, como diz o mestre: “O comportamento reflete a personalidade. Tudo o que vemos em uma cena de crime nos diz algo sobre o suspeito”.

Confira a seguir algumas lições importantes do “caçador de serial killers”, que podem ajudar a entender o que se passa na cabeça de um assassino em série e o que leva um sujeito a cometer essas atrocidades. Afinal, só entendendo o criminoso é possível aumentar as chances de colocá-lo atrás das grades.

Caçando serial killers

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Caçadores e presas

“O serial killer se comporta como um caçador, como um leão na savana, e se concentra em apenas um entre milhares de presas, geralmente a mais fácil, a mais fraca”, explica John Douglas. Para capturar um assassino, é preciso pensar como ele. Douglas faz isso analisando a cena do crime. “Se quiser compreender um artista, olhe para sua obra”, é um lema do ex-agente do FBI. Trata-se de observar elementos de um crime e tirar conclusões mais abrangentes a partir deles.

Na imagem, cena do filme “Caçadores de Mentes” (2004).

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O poder de uma pergunta: “Por quê?”

Suponhamos que o corpo de uma possível vítima de um serial killer foi deixado no meio de uma floresta, com ferimentos de objeto cortante e um tiro no peito. Ao analisar a cena do crime, uma indagação surge a cada item analisado: por quê?

“Por que nada de valor foi levado?”, “Por que ocorreu uma mutilação após a morte da vítima?”, “Por que o criminoso usou um machado a princípio, se tinha uma arma a mão?”. Respondendo a estas questões, é possível responder uma questão ainda mais importante: “Quem cometeria esse crime?”.

a imagem, cena do filme “Psicopata Americano” (2000).

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Um exemplo prático

Durante os anos 1950, Nova York sofria com os ataques do “Bombardeador Maluco”, um criminoso que explodia bombas em cartões-postais da cidade, como casas de shows e estações de trens. Sem saber mais o que fazer, os policiais recorreram ao psiquiatra James Brussel, que analisou fotos e as cartas que o criminoso enviava à polícia.

Brussel foi capaz de tirar conclusões bastante detalhadas sobre o suspeito, incluindo fatos como o sujeito ser paranoico, odiar o pai, ter obsessão pela própria mãe, ser um homem forte e corpulento de meia-idade, origem estrangeira, católico, solteiro que vive com um irmão e uma irmã, e, ao final de suas instruções, Brussel disse à polícia que o suspeito estaria usando um blazer de abotoamento duplo quando fosse encontrado.

Quando George Metesky (foto) foi preso em Waterbury, Connecticut, os policiais notaram que Brussel errou em apenas um item do perfil traçado: o criminoso morava com duas irmãs, e não com um irmão. Quando Metesky deixou o quarto para ser algemado, ele saiu usando um blazer com duplo abotoamento.

Ao esclarecer como tinha chegado a conclusões tão precisas, Brussel disse que, como psiquiatra, estava acostumado a fazer previsões de como um indivíduo reagiria a certas situações. Nesse caso, foi só fazer o processo inverso: tentando prever o indivíduo a partir de suas ações.

A análise de Brussel foi um divisor de águas no FBI, que passou a usar isso como ferramenta para capturar criminosos, e não mais enxergar essa técnica simplesmente como “bruxaria”, como essas ações eram pejorativamente chamadas pelos próprios agentes e policiais dos anos 70.

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As motivações

De acordo com John Douglas, as razões que levam assassinos “comuns” a agirem da forma que agem têm a ver com manifestações exageradas de emoções igualmente comuns, como raiva, ganância, ciúme e vingança.

Serial killers, por sua vez, desenvolvem uma espécie de compulsão, e persistem até serem presos ou mortos, não se contentando com apenas uma vítima.

Na verdade, seus crimes em geral não são pessoais (serial killers matam mais desconhecidos do que o contrário). “Assassinos e estupradores em série são motivados por fatores muito mais complexos do que as emoções básicas. Por isso seus padrões são mais confusos de serem analisados”, diz Douglas.

Na imagem, cena do filme “O Silêncio dos Inocentes” (1991).

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Dominação, manipulação e controle

“Descobrimos que as três motivações mais recorrentes de estupradores e assassinos em série eram dominação, manipulação e controle”, explica John Douglas, sugerindo que é por isso que serial killers geralmente são pessoas “completamente fracassadas”, que não dão certo em lugar algum, nem nos estudos, ou no esporte, trabalho, não tem amigos, nem relacionamentos saudáveis.

A necessidade de dominação e controle do serial killer seria em parte para compensar o fato de ser um desajustado em todos os âmbitos e fases da vida.

Na imagem, cena do filme “Dragão Vermelho” (2002).

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Infância violenta

Muitas são as hipóteses que especialistas e estudiosos dão quando tentam explicar o que leva uma pessoa a se tornar um completo psicopata. Muitos estudos já lançaram luz sobre o tema, e alguns caíram em desuso – como defeitos congênitos no cérebro, por exemplo. Mas um fator se destaca na história de vida de psicopatas: histórico de abusos e violência (física e moral) na infância e adolescência, sobretudo aqueles causados pelos próprios pais.

Não é coincidência que a maioria dos serial killers mais famosos do mundo viveram infâncias problemáticas e infelizes, crescendo sendo extremamente odiados pelos pais, na maioria das vezes apanhando e sendo abandonados. Charles Manson (foto), filho de uma prostituta drogada que vivia sendo presa, morava com um tio que abusava dele. Edmund Kemper era constantemente trancado em um porão pela própria mãe, que dizia sempre que ele não seria ninguém na vida.

John Douglas afirma que isso não justifica os crimes dos serial killers, mas o agente do FBI e outros especialistas acreditam que olhar com mais cuidado para estes fatores pode fazer com que o problema seja tratado ainda na “raiz”.

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Um mundo de fantasia

O assassino em série geralmente é um criminoso que obtém prazer sexual ferindo e matando pessoas. Não à toa, a maior parte dos crimes envolvem estupro e abusos sexuais, e mesmo aqueles aparentemente “não-sexuais”, têm tudo a ver com prazer sexual.

Nos anos 80, por exemplo, o americano David Berkovitz aterrorizou Nova York matando casais de namorados. Ele atirava de longe com um revólver e não tinha contato físico, muito menos íntimo, com as vítimas, mas gostava de se masturbar pensando nos crimes cometidos.

Geralmente, o psicopata tem apenas um desejo de praticar seus atos inomináveis e repugnantes. Mas ele mantem isso como um segredo, e vai alimentando esses pensamentos com o passar do tempo (às vezes anos). Em determinado momento, o pervertido deixa de fantasiar sobre seus crimes, e passa a praticá-los. Jeffrey Dahmer (foto), um dos mais famosos serial killers do mundo, fantasiava transar com cadáveres de jovens atléticos.

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E a fantasia vira realidade

John Douglas acredita que há um ponto de ruptura na maioria dos casos envolvendo serial killers, um momento em que o potencial assassino deixou de apenas querer fantasiar e passou a praticar os crimes de verdade.

O FBI chama esse evento ou incidente desencadeador de “estressor”. Geralmente são eventos comuns que incomodam a todos nós e, por mais sinistro que pareça, os estressores mais comuns são incrivelmente banais: perda de emprego e término de relacionamento.

“Esses estressores estão tão atrelados à dinâmica dos assassinatos em série que, ao vermos certas circunstâncias em uma cena de crime, conseguimos prever qual estressor ocorreu naquele caso em particular”, afirma o especialista do FBI.

Na imagem, cena do filme “Dragão Vermelho” (2002).

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“Modus operandi” e “assinatura”

Uma das formas mais certeiras de descobrir um perfil criminoso é saber qual a sua “assinatura”, mas para isso, é preciso saber diferenciá-la do “modus operandi”.

Modus operandi é o que o criminoso faz para cometer um crime. É algo dinâmico, que pode variar (a forma de matar a vítima, por exemplo). Já a assinatura, um termo cunhado pelo próprio John Douglas justamente para distinguir do modus operandi, é algo que não muda, é o que o criminoso faz para se satisfazer em todos os assassinatos.

A assinatura pode ser um elemento isolado ou um conjunto de fatores, mas é algo único daquele assassino em particular, um denominador comum em todos os crimes, algo que faz parte da compulsão de um determinado psicopata (e por isso, por ser uma compulsão, é algo praticamente imutável).

Alerta de spoiler: no filme “Se7en – Os Sete Crimes Capitais” (1995), o assassino mata suas vítimas de formas muito variadas, fazendo um advogado sofrer uma hemorragia ao cortar a própria barriga, ou induzindo uma bela mulher a tomar uma dose mortal de medicamentos. Ou seja, o “modus operandi”, a forma de matar, variou bastante, ao ponto de uma vítima sofrer mais ou menos que outra. Mas a assinatura não mudou: o desejo de ver as vítimas morrerem “de acordo com seus pecados”.

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Preso por causa de sua “assinatura”

Steven Brian Pennell (foto) foi um serial killer condenado em 1988 pelo assassinato de duas mulheres em Delaware, Estados Unidos, e sob suspeita de ter cometido mais três assassinatos.

A defesa alegava que Pennell não havia cometido os assassinatos, e dizia acreditar que as vítimas do caso haviam sido mortas por assassinos diferentes. Afinal, uma vítima foi torturada com um alicate, enquanto outra foi torturada com um martelo.

John Douglas e outros agentes foram testemunhas de acusação e falaram sobre a “assinatura”. Embora o método de tortura variasse nesses casos (o martelo ou alicate eram o “modus operandi”), a assinatura no caso era o prazer que o criminoso sentia em causar dor e ouvir o sofrimento das vítimas.

Enfim, a assinatura não era algo necessário para que o homicídio ocorresse, mas era fundamental para o que Pennell queria obter com o crime: o prazer em torturar pessoas. No fim, Pennell foi condenado e executado por injeção letal em 1992.

Via: www.bol.uol.com.br

Ellen Lorrane de Oliveira Soares

Ellen Lorrane de Oliveira Soares

Hello galera, eu sou a Ellen, tenho 18 anos. Sou uma adolescente-adulta e para fazer entretenimento de outros, dedico uma parte do meu tempo precioso para fazer publicações com conteúdos relevantes e engraçados. Como uma nova blogueira nesta pagina de humor, a zoação é necessária.